sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Doença de Chagas: Manual aponta diagnóstico como o grande desafio

Água a 80º por dez segundos. A receita para prevenir a principal forma de contaminação pela doença de Chagas no Pará é simples. Porém, já com o registro de três mortes em decorrência da doença no Estado apenas neste ano, o desafio de se promover um diagnóstico precoce se alia à necessidade de prevenção.

Lançado na manhã de ontem pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), o “Manual de Recomendações para Diagnóstico, Tratamento e Seguimento Ambulatorial de Portadores de Doença de Chagas” pretende, justamente, orientar os profissionais de saúde sobre os sintomas do parasita que atinge, em grande parte, o coração do portador.

Segundo o secretário de Estado de saúde pública, Hélio Franco, a doença é uma das que mais preocupa no Pará. “A doença de Chagas é uma das mais graves que temos. Atualmente temos cerca de mil pessoas em tratamento e o tempo desse tratamento é de cinco anos”, destacou. “Os três maiores problemas de saúde do Pará são a malária, o escalpelamento e a doença de Chagas”.

Já com o registro maior no número de casos da doença em 2012 do que o notificado no ano passado, o Estado do Pará representa mais da metade do número de casos notificados em todo o país. Apesar de considerar que a principal forma de prevenção é relativamente simples, para o secretário, há a necessidade de convencer a população a praticá-la.

“Simplificando, a doença de Chagas no Pará é um problema de higiene. A solução é lavar, lavar, lavar e colocar água quente a 80º por dez segundos”, disse, ao se referir à principal forma de contaminação, que é a não higienização correta do fruto do açaí que acaba sendo moído junto com as fezes do Barbeiro (hospedeiro do parasita que causa a doença) e de partes dele. “Ao que tudo indica, a contaminação é mesmo por via oral”.

MANUAL

Responsável pelo lançamento do manual que é anexo à Portaria de nº1619, que estabelece a rotina de seguimento da doença de Chagas no Pará, a coordenadora estadual de Controle da Doença de Chagas, Elenild Góes, afirmou que o documento é voltado especificamente para médicos e residentes. “A partir do manual, os profissionais de saúde terão conhecimento do fluxo de assistência de chagas, saberão para onde encaminhar o paciente em casos de doença crônica ou aguda”, afirmou. “É um manual voltado especificamente para o profissional médico”.

Segundo a coordenadora do programa multidisciplinar em doença de Chagas da Sespa e uma das autoras do manual, Dilma Souza, a suspeita da doença se torna mais difícil em decorrência da facilidade de confusão da doença de Chagas com a malária, toxoplasmose ou dengue. “A assistência qualificada para a doença de Chagas é fator determinante para evitar óbitos”, afirma. “Os sintomas costumam aparecer de três a 22 dias de contaminação por via oral”.

(Diário do Pará)

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