sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Estudantes canadenses conhecem o controle de Chagas no Pará

José Pantoja/ Sespa
Um grupo de alunos de mestrado e doutorado e pesquisadores da Universidade de Quebec, no Canadá, conheceram, na tarde desta segunda-feira (20), a história, os casos, a incidência e as ações para o controle da doença de Chagas no Pará. A visita faz parte de um curso sobre a Amazônia promovido pela instituição canadense a cada dois anos, com a finalidade de mostrar a realidade da região para os alunos. 
 
Segundo a coordenadora estadual de Controle da Doença de Chagas, Elenild Góes, a abordagem foi solicitada porque a doença tem importância para o ecossistema amazônico. “Além de informá-los sobre os tipos e formas de transmissão, também estamos mostrando nossa experiência no controle da doença e na vigilância epidemiológica”, explicou.

O interesse em conhecer as ações demonstra o reconhecimento da eficiência de uma vigilância de qualidade. “Embora o Estado concentre 80% dos casos da doença, possibilitamos tratamento imediato e preciso para garantir qualidade de vida aos pacientes”, observou.
José Pantoja/ Sespa
Segundo o pesquisador que integra a equipe, Robert Davidson, o encontro permitiu que os alunos entendam e absorvam melhor as informações, além de conhecerem de perto a realidade da região amazônica. “Com este trabalho é possível conciliar a preservação e o desenvolvimento. Estamos entendendo os desafios da região, principalmente da área da saúde. Os alunos farão uma reflexão e darão conta da complexidade do meio”, destacou.

Este ano, o Pará registrou 35 casos do Mal de Chagas, dos quais onze em Abaetetuba, no nordeste do Estado. Para fortalecer o trabalho de prevenção, a coordenação trabalha com o Plano de Intensificação de Controle da doença de Chagas. O plano desenvolve ações estratégicas que visam à capacitação de equipes técnicas para garantir atendimento na capital e em todos os municípios, além de assegurar medicação especifica, diagnóstico, tratamento e acompanhamento ao paciente.

As ações previstas têm como objetivo a redução da ocorrência de casos e a diminuição da exposição ao risco para transmissão vetorial e oral por alimentos, e ainda a redução da mortalidade pela doença. O trabalho também envolve a investigação da presença de barbeiros nas áreas onde os casos são detectados, uso de armadilhas para captar barbeiros, orientação às comunidades sobre os cuidados com a presença do inseto e a identificação dele nos municípios de risco.

Atualmente, há três serviços especializados no Estado, um no Hospital Universitário João de Barros Barreto, outro no Hospital de Clinicas Gaspar Viana, para casos de emergência cardiológica, e também no Hospital Regional do Marajó, em Breves.


Agência Pará de Notícias Atualizado em 20/08/2012

Diagnóstico precoce é fundamental para o controle da Doença de Chagas

ASCOMO diagnóstico precoce ainda é a principal arma no combate à Doença de Chagas, pois quanto mais tempo o paciente leva para iniciar o tratamento, mais danos o parasita Trypanosoma Cruzi causa no organismo, principalmente ao coração. A informação é da farmacêutica bioquímica, Elenild Góes, coordenadora estadual de Controle da Doença de Chagas e uma das ministrantes do Curso de Investigação de Surtos de Doença de Chagas Aguda, realizado nos últimos dias 18 e 19, no auditório da Secretaria de Estado de Obras Pública (Seop).

Promovido pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), o curso contou com a participação de profissionais da Vigilância Epidemiológica dos municípios prioritários para a transmissão da Doença de Chagas no Pará (Ananindeua, Paragominas, Barcarena, Moju, Tailândia, Igarapé-Miri, Abaetetuba, Ponta de Pedras, Breves, Curralinho, Anajás, Bagre e Mocajuba), de técnicos dos Centros Regionais de Saúde da Sespa (1º CRS, 6º CRS, 7º CRS, 8º CRS, 4º CRS, 5º CRS e 13º CRS), de técnicos do Laboratório Central do Estado (Lacen) responsáveis pelo diagnóstico da doença e da Vigilância Sanitária do Nível Central/Sespa.

Também foram ministrantes do curso a médica epidemiologista Erica Tatto, da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre; a veterinária Soraya Oliveira, do Ministério da Saúde; e a médica cardiologista Dilma Souza, do HUJBB/UFPA. O objetivo foi atualizar os profissionais sobre a Doença de Chagas e orientar sobre as etapas do processo de investigação. “É importante que todos os casos suspeitos da doença sejam investigados minuciosamente, visando à identificação do foco de contaminação e outros possíveis indivíduos infectados”, disse Elenild.

Segundo ela, o mal de Chagas é uma doença, cujo controle envolve diversos setores da Saúde Pública, como a Epidemiologia, a Entomologia, a Vigilância Sanitária e a Assistência, que devem trabalhar integradas para o alcance dos resultados e benefício do paciente. “Um paciente com suspeita da doença precisa ser logo notificado e imediatamente encaminhado para exame e início do tratamento, visando à redução das sequelas, uma vez que ela não tem cura. A partir de um doente, é possível chegarmos a outros e ao foco da contaminação, para que medidas de controle sejam adotadas”, explicou a coordenadora.

Elenild informou que, este ano, o Pará registrou 35 casos do Mal de Chagas, dos quais ocorreram 11 em Abaetetuba, que enfrenta um surto da doença originado, ao que tudo indica, a partir de um ponto de venda de açaí.

Sintomas e transmissão - O mal de Chagas é transmitido pelo inseto conhecido como Barbeiro, que infectado, ao picar uma pessoa sadia, deposita fezes contaminadas no ferimento permitindo a entrada do parasito Trypanosoma cruzi na corrente sanguínea. A doença também pode ser transmitida por via oral, por meio de alimentos contaminados pelo Barbeiro - como é o caso do açaí, no Pará.

Na fase aguda, os principais sintomas são dor de cabeça, febre, cansaço, edema facial e dos membros inferiores, taquicardia, palpitação e dor no peito e falta de ar. Como os sintomas iniciais parecem com o de outras doenças, o paciente deve procurar atendimento médico imediato para fazer exame e ser referenciado para o serviço especializado. Atualmente há dois hospitais de referência no tratamento da doença no Pará: o Hospital Universitário João de Barros Barreto, em Belém, e o Hospital Regional do Marajó, em Breves. A implantação desse último representou um importante avanço na municipalização dos serviços de saúde, já que agora os pacientes daquela região não mais precisam vir a Belém para receber tratamento. “No Barros Barreto, são atendidos cerca de 60 pacientes por mês, entre casos agudos e crônicos”.

Elenild explicou, ainda, que todo paciente agudo torna-se crônico com ou sem sequelas. E, embora a sorologia do paciente possa dar negativa para a doença após algum tempo, o parasito permanece no tecido e o estrago que faz no coração é irreversível. Por tudo isso, o paciente com Chagas recebe medicamento específico por dois meses e permanece sob acompanhamento pelo período de cinco anos. “As sequelas podem ser tão graves que alguns pacientes chegam a se aposentar por invalidez. Em uma pesquisa feita com 167 pacientes, 70% apresentaram problemas no coração”, acrescentou Elenild.

A coordenadora estadual lembra que o principal papel da Sespa é o de apoiar os municípios, com assessoria técnica e capacitação profissional para que o serviço funcione da melhor forma possível, o que inclui o trabalho da Vigilância Sanitária, com o ensino das boas práticas na manipulação de alimentos - como o açaí.

Barbeiro – Segundo a entomologista Soraya Oliveira, houve uma extinção maciça de espécies de Barbeiro no Brasil, e hoje a maioria deles vive em ambientes silvestres, sendo impossível combatê-los com inseticidas utilizados usualmente. Diante desse quadro, é importante que a população e os profissionais de saúde permaneçam atentos nos locais de maior risco. “Houve mudança na visão da epidemiologia e, aqui na Amazônia, a forma mais adequada de controle da doença é a detecção e o diagnóstico precoce. Também é importante que o profissional tenha noções básicas de investigação epidemiológica e vá a campo fazer o seu trabalho para evitar novos casos”, concluiu Soraya.

Agência Pará de Notícias Atualizado em 20/08/2012

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Simpósio alerta para doenças cardíacas associadas ao mal de Chagas

I Simpósio de Chagas 009-Pela primeira vez no Estado, um hospital que é referência no tratamento aos pacientes de doença de Chagas reúne profissionais experientes no tema e acadêmicos interessados nas pesquisas já realizadas na região Norte. Foi neste cenário que aconteceu em Belém, nesta terça-feira, 21, o primeiro Simpósio em Doença de Chagas do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna. Durante todo o dia, rodas de conversa, palestras e mesas redondas foram realizadas no intuito de discutir, avaliar e propor novas estratégias para favorecer a prevenção, o controle e o tratamento da doença, que concentra mais de 80% dos casos brasileiros só no Pará. 

I Simpósio de Chagas 020-Durante a abertura do Simpósio, a médica cardiologista Dilma Souza, responsável pelo ambulatório de Chagas do Hospital de Clínicas, elogiou o empenho dos aproximadamente 200 participantes do evento e afirmou que isso indica a busca pela eficiência no tratamento dos pacientes chagásicos crônicos e ao mesmo tempo reflete um trabalho que já vendo sendo feito desde 2006, por ocasião da criação do Programa Estadual de Controle da Doença de Chagas (PECDCh), com a missão de conduzir as atividades de vigilância e controle do agravo, num trabalho conjunto entre Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e as instituições que mantém o modelo de hospital-ensino, como o de Clínicas e o Barros Barreto.

Entrega de Aparelho 5-A crescente associação da transmissão oral da doença ao ser humano também sensibiliza a vice-presidente da Sociedade Regional de Cardiologia e também secretária adjunta de Estado de Saúde, Heloisa Guimarães. Durante o Simpósio, ela relembrou uma temeridade da qual foi testemunha durante algumas ações de saúde realizadas pelo Pro Paz em 2011 na Ilha do Combu, localizada ao lado oposto de Belém. Segundo ela, ao detectar que mais de 50% pessoas examinadas apresentaram alterações nos batimentos cardíacos, chegou à conclusão de que os moradores já conheciam o inseto barbeiro e que não sabiam da gravidade dessa “convivência”. “Foi dessa forma que identificamos o nível de informação desse povo e iniciamos uma série de esclarecimentos sobre a doença no mesmo ano. Mas até convencer de que um alimento tão querido como o açaí, que se não for batido com higiene, faz mal, aí é um grande percurso de convencimento”, afirmou a secretária adjunta. 

I Simpósio de Chagas 003-A questão do convencimento também foi levada em conta pelo secretário de Estado de Saúde Pública, Helio Franco, que ressaltou a resistência dos produtores em proceder ao chamado “escaldamento” do fruto do açaí, quando os caroços são mergulhados em água quente, numa temperatura de 80°C, para eliminar as bactérias e principalmente as contidas nas fezes do barbeiro, inseto transmissor da doença de Chagas.

“Essa questão cultural representa o maior dos desafios para o grupo envolvido na prevenção da doença. Contudo, a área de saúde não deve arcar com isso sozinha. Os produtores e os manipuladores devem colaborar”, afirmou, ao ressaltar que não faltam informações sobre boas práticas de higiene em locais de venda de açaí, como a limpeza das mãos e uso de detergente neutro para lavar os utensílios e equipamentos; a escolha de um piso de fácil limpeza e proteção para as fiações, cabelos, mãos e corpo.
 

I Simpósio de Chagas 032-Em tom confessional, a diretora do Departamento de Vigilância Sanitária (Devisa) de Belém, Patrícia Borges, reafirma que a resistência da maioria dos manipuladores é o grande empecilho para se garantir um açaí de qualidade na cidade. Segundo ela, o trabalho de fiscalização e capacitação dos batedores de açaí é feito regularmente. “Se os locais de venda não estiverem adequados aos padrões de higiene e condições sanitárias exigidos, podem ser interditados e o proprietário intimado a se capacitar”, diz. Caso o proprietário já tiver sido treinado por algum órgão, terá de deixar a comodidade de lado e passar por reciclagem, só podendo voltar a trabalhar depois que estiver de acordo com as normas da Vigilância Sanitária.

Além de Patrícia, participam do evento Érica Tatto, da Secretaria de Saúde do município de Porto Alegre (RS); Soraya Oliveira, de Minas Gerais; Dilma Souza, cardiologista dos hospitais de Clínicas e Barros Barreto; Ana Maria Guaraldo, da Unicamp, e pesquisadores do Instituto Evandro Chagas, além da diretora do hospital de Clínicas, Ana Lydia Cabeça; a infectologista Rita Medeiros, do hospital Barros Barreto; a coordenadora estadual do Programa de Doença de Chagas, Elenild Góes; e uma dezena de médicos residentes em Cardiologia do Hospital de Clínicas.

Casos em 2012
 
I Simpósio de Chagas 022-Atualmente o Pará é responsável por 80% dos registros da Doença de Chagas no Brasil. Só este ano, já são 35 casos confirmados e uma morte de paciente oriundo de São Miguel do Guamá. Em 2011 foram 141 ocorrências, sendo que muitos ocorrem por transmissão oral, já que os picos de registros coincidem com a safra do açaí, o que tem levado muitos pesquisadores do assunto a suspeitarem que há uma relação direta da incidência da doença com o consumo do fruto, quando manipulado de maneira incorreta.

Elenild Góes já deixou claro que o aumento de casos também reflete o esforço das autoridades no combate às subnotificações e a favor de um diagnóstico mais precoce possível. A intenção é que pacientes com casos positivos sejam tratados antes de evoluírem para a fase crônica. Febre, calafrio, manchas vermelhas na pele, dores de cabeça e no rosto e enjôos estão entre os sintomas clássicos.

O programa de Doença de Chagas no Pará foi criado há cinco anos e, desde então, o número de casos se mantém em torno de 100. O ano de 2009 foi o recordista do número de casos, com 241. Oeiras do Pará, Abaetetuba e Breves são as cidades que estão no topo nos números de incidência. Na capital, os bairros do Jurunas, Pedreira e Guamá os que apresentam maior maior número de casos da doença.
 
Fonte: SESPA
 


Município de Abaetetuba, PA, tem surto de doença de Chagas

Dos 35 casos registrados no Pará em 2012, Abaetetuba tem 11 casos. A suspeita é que os casos estejam relacionados ao consumo de açaí.

 
 
O município de Abaetetuba, no nordeste do estado, está com um surto de doença de Chagas. Dos 35 casos registrados no Pará em 2012, a cidade registrou 11. A suspeita é que as ocorrências estejam relacionadas ao consumo de açaí.

“Estamos com um surto recente no município de Abaetetuba. Nós temos cerca de 11 pessoas que estão doentes, incluindo um batedor de açaí e duas pessoas da sua família. Então sabemos que este número vai aumentar. A vigilância sanitária e epidemiológica do município tem trabalhado e nós, como estado, estamos supervisionando essas ações”, explica Elenild Góes, coordenadora estadual da doença de Chagas.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), o Pará ainda é o estado com o maior número de casos da doença no Brasil. Em 2011, foram registrados 141 casos. De janeiro a agosto de 2012, a secretaria já so

A pesquisadora Ana Maria Guaralda explica que o causador da doença, o protozoário “tripanosoma cruzi”, é muito resistente e pode sobreviver no açaí congelado. “O congelamento não interrompe essa transmissão. O açaí contaminado, mantido a temperatura de -20°C durante 24 horas, é capaz de matar camundongos”, afirma a pesquisadora.

Um dos métodos para evitar a contaminação da doença é o preparo adequado do açaí. Ele deve passar pela peneira, ser lavado três vezes em água corrente e depois ficar de molho em hipoclorito por 20 minutos. Antes de ser batido, o açaí ainda deve passar por um processo de branqueamento, que consiste em mergulhar os caroços em água a 80°C por 10 segundos, em seguida, resfriar o fruto novamente.

Fonte: G1 PA em 22/08/2012
 

Sespa desenvolve atividades sobre a Doença de Chagas

O mês de agosto marca o auge da colheita do açaí no Pará. E como a manipulação do fruto tem sido associada à transmissão da doença de Chagas no Estado, três atividades distintas e dedicadas ao assunto serão realizadas em Belém, sob a orientação da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), através da Coordenação Estadual do Programa de Controle da Doença de Chagas. O primeiro compromisso entre pesquisadores e estudiosos da doença acontecerá nos dias 18 e 19 de agosto, quando acontecerá o Curso de Investigação de Surtos de Doença de Chagas Aguda, no auditório da Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop), em Belém.

No dia 20 de agosto, a coordenadora estadual do Programa de Controle da Doença de Chagas, Elenild Góes, mediou uma reunião com 22 pessoas do grupo de pesquisadores e alunos da Universidade de Quebec, em Montreal (Canadá). No ano passado, membros da instituição participaram de pesquisas de campo realizadas pela Sespa em Belém e na ilha do Combu. Esse novo encontro aconteceu no auditório da Associação dos Municípios do Araguaia, Tocantins e Carajás (Amat), localizada na avenida Conselheiro Furtado, em Belém.

Também na capital paraense aconteceu, dia 21 de agosto, o primeiro Simpósio em Doença de Chagas do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna. Com o tema “A Doença de Chagas na Amazônia”, o evento aconteceu no auditório do próprio hospital, de 8 as 12 horas e de 14 as 18 horas.

Cenário da doença - Atualmente o Pará é responsável por 80% dos registros da doença de Chagas no Brasil. Só este ano, já são 27 casos confirmados. Em 2011 foram 141 ocorrências, sendo que muitos ocorrem por transmissão oral, já que os picos de registros coincidem com a safra do açaí, o que tem levado muitos pesquisadores do assunto a suspeitarem que há uma relação direta da incidência da doença com o consumo do fruto, quando manipulado de maneira incorreta.

Elenild Góes já deixou claro que o aumento de casos também reflete o esforço das autoridades no combate às subnotificações e a favor de um diagnóstico mais precoce possível. A intenção é que pacientes com casos positivos sejam tratados antes de evoluírem para a fase crônica. Febre, calafrio, manchas vermelhas na pele, dores de cabeça e no rosto e enjôos estão entre os sintomas clássicos.

O programa de doença de Chagas no Pará foi criado há cinco anos e, desde então, o número de casos se mantém em torno de 100. O ano de 2009 foi o recordista do número de casos, com 242. Oeiras do Pará, Abaetetuba e Breves são as cidades onde a incidência da doença é maior. Na capital os bairros de Jurunas, Pedreira e Guamá lideram as ocorrências.

Fonte: Agência Pará de Notícias

Manejo correto do açaí evita mal de Chagas


Em média de 20 a 30 latas de açaí são vendidas por dia. Na safra, a partir de agosto, esse número pula pra 60 ou 70 latas” diz José Haroldo Lima, 46, que há seis anos toma conta de um ponto na Feira do Açaí, no Ver-o-Peso. Com o preço do produto reduzido, o consumo cresce e isso preocupa as autoridades da área de saúde do estado. O motivo: o possível aumento nas ocorrências da doença de Chagas.


Transmitida pelo protozoário tripanossoma cruzi, presente nas fezes do mosquito barbeiro, a doença encontrou um vetor poderoso no açaí. Se não houver os devidos cuidados com a higiene durante o preparo do alimento, o “barbeiro” acaba processado junto com a fruta.


Segundo Elenild Góes, coordenadora do Programa de Doença de Chagas da Secretaria de Saúde do Estado, é importante que as pessoas que sentirem os sintomas da doença - febre, mal-estar, vermelhidão, inchaço nos olhos, aumento do fígado e baço entre outros – procurem fazer o teste. “Muitas pessoas não sabem que tem a doença porque acreditam estar doentes de outra coisa e não fazem o teste”. Em caso positivo é necessário informar o serviço de epidemiologia da cidade, para que este encaminhe o paciente para o tratamento adequado e possa fazer o controle da doença. “Geralmente em uma casa onde uma pessoa contraiu a doença através do açaí mais pessoas contraíram também” explica.


Os cuidados para evitar a contaminação devem ser em toda a cadeia produtiva, que se dá em condições precárias de higiene. O Departamento elenca seis medidas higiênicas durante o processamento do açaí: seleção e peneiramento; lavagem com hipoclorito de sódio e retirada do excesso; escaldamento – cozer em 80 graus celsius por dez segundos e em seguida mergulhar em água fria – despolpamento em máquinas previamente higienizadas; envase em sacos plásticos virgens e refrigeração imediata do produto que não for comercializado na hora.


Elenild destaca que os cuidados de prevenção são benéficos ao produto. “O processo destrói todas as bactérias que infectam o fruto. Como elas são as principais responsáveis pelo azedamento o açaí acaba durando mais tempo antes de azedar após passar por todo esse processo”. Ela lamenta a resistência de alguns vendedores em seguir as seis etapas de higienização, “alguns acreditam que lavar com o hipoclorito muda o gosto do produto e a maioria não faz o peneiramento antes de começar a manipular”.


Elenild afirma ainda que o principal diferencial na prevenção da doença de chagas é o próprio trabalho de informação do consumidor. “A partir do momento em que ele começa a cobrar mais qualidade e higiene no serviço, não haverá como quem tem resistência não investir na qualidade do serviço”. Outras ações dentro da política de combate a doença de Chagas vem na forma do decreto governamental de normatização do processamento e venda do açaí, lançado em janeiro deste ano, e programas de benefícios a vendedores que investirem na qualificação do seu negócio. O Programa de doença de Chagas prevê ainda a realização de três atividades no mês de agosto – um encontro com pesquisadores da universidade de Quebec; um curso de investigação da doença e um simpósio no hospital Evandro Chagas.






Fonte: Diário do Pará (em 11/08/2012)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Pará concentra 80% dos casos de doença de Chagas no Brasil

Das 841 notificações feitas em 2012, 29 casos foram confirmados.
Principal forma de contaminação continua sendo os alimentos.

   O estado do Pará concentra 80% dos casos de doença e chagas em todo o Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Para controlar um surto da doença, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) realiza uma série de atividades nos municípios com alto risco de transmissão.

   Das 841 notificações feitas em 2012, 29 casos foram confirmados. Em 2011 foram 141 ocorrências.         Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, a forma de transmissão mais comum da doença no estado ainda é o consumo de alimentos contaminados.

   “Na nossa região, o açaí é o alimento mais consumido e ainda está ligado a condições de higiene precárias, principalmente nos interiores, na área metropolitana de Belém e no arquipélago do Marajó. Existem 16 municípios onde a gente já sabe que essas ocorrências são anuais”, explica Elenilde Goes, coordenadora estadual do programa de doença de Chagas.

 
Doença de Chagas é transmitida pelo Barbeiro.
(Foto: Reprodução/EPTV)

   A doença de Chagas é causada pelo protozoário “Tripanosoma cruzi” e é transmitida pelas fezes contaminadas de um inseto conhecido como Barbeiro. A doença de Chagas não tem uma cura total, existe apenas tratamento.

   Os sintomas da doença são:
- Dor de cabeça;
- Mal estar;
- Pernas e braços inchados;
- Coração acelerado.

   Em Belém, o barbeiro já foi encontrado em áreas verdes do bairro de Val-de-Cães e também em casas no bairro do Jurunas. Outros bairros onde foram registrados casos da doença são: Tapanã, Pedreira, Icoaraci, Sacramenta e Guamá.

De 2006 a 2012 foram registrados no Pará 813 casos de doença de Chagas. Os municípios com o maior número de casos registrados de são:

Cidades Número de casos Belém 171
Abaetetuba 129
Breves 75
Barcarena 57
Ananindeua 34
Igarapé Miri 29

  A coordenadora orienta que, ao encontrar um barbeiro é importante não tentar pegar o inseto porque ele pode estar contaminado. A pessoa deve usar um saco plástico para pegá-lo vivo e leva-lo para o setor de vigilância do município. Para reduzir os casos, ela afirma que precisa melhorar bastante no quesito educação e assistência. Este mês será marcado por uma série de reuniões educativas com os municípios com alto risco de transmissão e os funcionários passarão por um curso técnico.

Reportagem exibida no dia 14/08/2012 no Jornal Bom Dia Pará. Clique aqui para assistir a metéria.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A Coordenação do Programa Estadual de Controle da doença de Chagas reune-se com pesquisadores canadenses (Coordination of the State Program for the Control of Chagas disease meets with Canadian researchers)

A Coordenação do Programa Estadual de Controle da doença de Chagas - CPECdCh/SESPA, no dia 20 de agosto, recepcionará um grupo de pesquisadores e alunos da Universidade de Quebec/Montreal/Canadá que estarão presentes em Belém para uma reunião que tem como objetivo a apresentação do trabalho realizado pela CPECdCh como mostra de experiência bem sucedida na vigilância da doença de Chagas na região amazônica.

O grupo faz parte do Curso Amazônia: meio ambiente, intervenção e conservação que é organizado a cada dois anos pelo Instituto de Ciências Ambientais (Institute of Enviromental Science - IES) da Universidade de Quebec (UQAM). 

A reunião envolverá a participação de profissionais da SESPA, da Universidade de Ouro Preto - UFOP/MG, da SMS de Porto Alegra/RS e do Hospital Universitário Barros Barreto - HUJBB/UFPA. 


Coordination of the State Program for the Control of Chagas disease - CPECdCh / SESPA, on August 20th, will host a group of researchers and students from the University of Quebec / Montreal / Canada who will be present in Belém/Pará for a meeting that aims to presentation of the work done by CPECdCh as a demonstration of successful experience in the surveillance of Chagas disease in the Amazon region.

The group is part of the Amazon Course: environment, conservation intervention which is organized every two years by the Institute of Environmental Sciences (Institute of Environmental Science - IES), University of Quebec (UQAM).

The meeting will involve professionals from SESPA, University of Ouro Preto - UFOP / MG, Municipal Secretary for Health of Porto Alegre/RS and University Hospital Barros Barreto - HUJBB / UFPA.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Curso de Investigação de surtos de doença de Chagas aguda

Nos dias 18 e 19 de agosto, acontecerá, no auditório da SEOP - Secretaria de Estado de Obras Públicas o II Curso de investigação de surtos de doença de Chagas aguda (DCA). O curso é direcionado para 25 profissionais da vigilância epidemiológica de municípios e regionais prioritários para a  transmissão da DCA no Pará.
Os municípios presentes no curso são: Belém, Ananindeua, Paragominas, Barcarena, Moju, Tailândia, Igarapé-Miri, Abaetetuba, Ponta de Pedras, Breves, Curralinho, Anajás, Bagre e Mocajuba. Representantes do 1º CRS, 6º CRS, 7º CRS, 8º CRS, 4º CRS, 5º CRS, 13º CRS.
Haverá participação de técnicos do Laboratório Central do Estado (LACEN), responsáveis pelo diagnóstico da doença de Chagas, além de técnicos da Vigilância Sanitária da SESPA.    

Confira a PROGRAMAÇÃO