sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Diagnóstico precoce é fundamental para o controle da Doença de Chagas

ASCOMO diagnóstico precoce ainda é a principal arma no combate à Doença de Chagas, pois quanto mais tempo o paciente leva para iniciar o tratamento, mais danos o parasita Trypanosoma Cruzi causa no organismo, principalmente ao coração. A informação é da farmacêutica bioquímica, Elenild Góes, coordenadora estadual de Controle da Doença de Chagas e uma das ministrantes do Curso de Investigação de Surtos de Doença de Chagas Aguda, realizado nos últimos dias 18 e 19, no auditório da Secretaria de Estado de Obras Pública (Seop).

Promovido pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), o curso contou com a participação de profissionais da Vigilância Epidemiológica dos municípios prioritários para a transmissão da Doença de Chagas no Pará (Ananindeua, Paragominas, Barcarena, Moju, Tailândia, Igarapé-Miri, Abaetetuba, Ponta de Pedras, Breves, Curralinho, Anajás, Bagre e Mocajuba), de técnicos dos Centros Regionais de Saúde da Sespa (1º CRS, 6º CRS, 7º CRS, 8º CRS, 4º CRS, 5º CRS e 13º CRS), de técnicos do Laboratório Central do Estado (Lacen) responsáveis pelo diagnóstico da doença e da Vigilância Sanitária do Nível Central/Sespa.

Também foram ministrantes do curso a médica epidemiologista Erica Tatto, da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre; a veterinária Soraya Oliveira, do Ministério da Saúde; e a médica cardiologista Dilma Souza, do HUJBB/UFPA. O objetivo foi atualizar os profissionais sobre a Doença de Chagas e orientar sobre as etapas do processo de investigação. “É importante que todos os casos suspeitos da doença sejam investigados minuciosamente, visando à identificação do foco de contaminação e outros possíveis indivíduos infectados”, disse Elenild.

Segundo ela, o mal de Chagas é uma doença, cujo controle envolve diversos setores da Saúde Pública, como a Epidemiologia, a Entomologia, a Vigilância Sanitária e a Assistência, que devem trabalhar integradas para o alcance dos resultados e benefício do paciente. “Um paciente com suspeita da doença precisa ser logo notificado e imediatamente encaminhado para exame e início do tratamento, visando à redução das sequelas, uma vez que ela não tem cura. A partir de um doente, é possível chegarmos a outros e ao foco da contaminação, para que medidas de controle sejam adotadas”, explicou a coordenadora.

Elenild informou que, este ano, o Pará registrou 35 casos do Mal de Chagas, dos quais ocorreram 11 em Abaetetuba, que enfrenta um surto da doença originado, ao que tudo indica, a partir de um ponto de venda de açaí.

Sintomas e transmissão - O mal de Chagas é transmitido pelo inseto conhecido como Barbeiro, que infectado, ao picar uma pessoa sadia, deposita fezes contaminadas no ferimento permitindo a entrada do parasito Trypanosoma cruzi na corrente sanguínea. A doença também pode ser transmitida por via oral, por meio de alimentos contaminados pelo Barbeiro - como é o caso do açaí, no Pará.

Na fase aguda, os principais sintomas são dor de cabeça, febre, cansaço, edema facial e dos membros inferiores, taquicardia, palpitação e dor no peito e falta de ar. Como os sintomas iniciais parecem com o de outras doenças, o paciente deve procurar atendimento médico imediato para fazer exame e ser referenciado para o serviço especializado. Atualmente há dois hospitais de referência no tratamento da doença no Pará: o Hospital Universitário João de Barros Barreto, em Belém, e o Hospital Regional do Marajó, em Breves. A implantação desse último representou um importante avanço na municipalização dos serviços de saúde, já que agora os pacientes daquela região não mais precisam vir a Belém para receber tratamento. “No Barros Barreto, são atendidos cerca de 60 pacientes por mês, entre casos agudos e crônicos”.

Elenild explicou, ainda, que todo paciente agudo torna-se crônico com ou sem sequelas. E, embora a sorologia do paciente possa dar negativa para a doença após algum tempo, o parasito permanece no tecido e o estrago que faz no coração é irreversível. Por tudo isso, o paciente com Chagas recebe medicamento específico por dois meses e permanece sob acompanhamento pelo período de cinco anos. “As sequelas podem ser tão graves que alguns pacientes chegam a se aposentar por invalidez. Em uma pesquisa feita com 167 pacientes, 70% apresentaram problemas no coração”, acrescentou Elenild.

A coordenadora estadual lembra que o principal papel da Sespa é o de apoiar os municípios, com assessoria técnica e capacitação profissional para que o serviço funcione da melhor forma possível, o que inclui o trabalho da Vigilância Sanitária, com o ensino das boas práticas na manipulação de alimentos - como o açaí.

Barbeiro – Segundo a entomologista Soraya Oliveira, houve uma extinção maciça de espécies de Barbeiro no Brasil, e hoje a maioria deles vive em ambientes silvestres, sendo impossível combatê-los com inseticidas utilizados usualmente. Diante desse quadro, é importante que a população e os profissionais de saúde permaneçam atentos nos locais de maior risco. “Houve mudança na visão da epidemiologia e, aqui na Amazônia, a forma mais adequada de controle da doença é a detecção e o diagnóstico precoce. Também é importante que o profissional tenha noções básicas de investigação epidemiológica e vá a campo fazer o seu trabalho para evitar novos casos”, concluiu Soraya.

Agência Pará de Notícias Atualizado em 20/08/2012

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